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Como a tecnologia e a inteligência artificial podem contribuir com a redução da desigualdade social?

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Desigualdades sociais e educação
Em estudo com objetivo de avaliar os impactos trabalhistas da crise da Covid-19, a FGV constatou que no primeiro trimestre de pandemia, a renda individual do brasileiro caiu em média de 20.1%. Como era de se esperar, a desigualdade social, teve aumento de 2.82%, medido pelo índice Gini.

O Índice Gini é usado para medir o grau de concentração de renda de determinado grupo. Sua gradação vai de zero a um, onde “zero” representa uma situação de igualdade e o “um” o extremo oposto, total desigualdade. O Brasil, no Relatório de Desenvolvimento Humano, apresentado pelo Pnud, em 2018, ficou com a pontuação de 0,545 já em 2019, caiu para 0,543.

Apesar de tal posição colocar o Brasil mais próximo da igualdade, ela não se traduz às regiões norte e nordeste.

Distribuição desigual de acesso a aprendizado
Nessas localidades, observa-se que a situação mais comum é de baixa ou nenhuma escolaridade.

De acordo com os dados apresentados pelos pesquisadores do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) , realizada em 2019, a taxa de analfabetismo no Brasil era de 6,6%, o que representava 11 milhões de analfabetos. Apenas nas regiões norte e nordeste se concentravam 7,6% e 13,9%, respectivamente, desses brasileiros que não conseguem ler nem escrever.

A tecnologia a favor da educação

Acesso à internet
Conforme pesquisa divulgada em 28 de outubro de 2019, pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), em 2018, o acesso à internet estava presente em 46,5 milhões de residências brasileiras.

Seu estudo ainda mostra que a região Sudeste apresenta maior percentual de domicílio com acesso à internet, 73% enquanto a região Norte apresenta 63% e o Nordeste 57%, menor percentual do país.

Dentre os entrevistados pela pesquisa, 27% apontam o valor cobrado pelas empresas de internet como fator para não contratarem o serviço.

Distribuição de tecnologia
Segundo artigo publicado em 2019, pela revista de educação da Universidade Federal de Pernambuco, Interritórios, instituições educacionais públicas sofrem com a exclusão de recursos tecnológicos para seus estudantes.

O artigo aponta para a falta de políticas públicas e à precariedade de infraestrutura física de escolas públicas e municipais como motivos dessa exclusão.

De acordo com a TIC Domicílios, entre a população cuja renda familiar é inferior a 1 salário mínimo, 78% das pessoas com acesso à internet usam exclusivamente o celular.

Uso de I.A.
As plataformas digitais servem como base para a produção e distribuição de materiais de cunho acadêmico. O Google Classroom, por exemplo, ajuda alunos e professores a organizar tarefas.

Muitas dessas ferramentas usam a inteligência artificial para entender melhor os hábitos dos alunos e criar estratégias pedagógicas mais eficientes.

“Sendo assim, as informações de cada aluno são intercruzadas com as bases de dados da plataforma, trazendo os melhores resultados a partir de desenhos individualizados com base em aspectos pedagógicos, psicológicos, técnicos e éticos, para melhor aprendizagem personalizada” - Interritórios, V.5, N.8 [2019].

As necessidades individuais de cada aluno são analisadas individualmente. O que traz maior aproveitamento para a sala de aula.

De acordo com o professor Naercio Menezes Filho, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso no Insper e professor associado da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo: “A educação é uma das poucas áreas que promovem avanços nas frentes social e econômica ao mesmo tempo: investindo em educação, melhora tanto o crescimento econômico quando a justiça social. Educação é fundamental para reduzir a desigualdade” e que o cenário atual de desigualdade no Brasil é fruto da demora de investimentos em políticas educacionais no país.

 

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